domingo, 28 de agosto de 2016

Expectativa

Eu gostaria de parar de pensar no inexplicável. Olhar, sentir e deixar fluir, pois não dá para decifrar pessoas o tempo todo e procurar entender o coração de quem não tem as respostas para me dar. Eu não tenho soluções para os meus afetos, talvez eu nem saiba como construir um amor. Vivo na inconstância do sentir e procuro mergulhar na escuridão das minhas incertezas. São enormes os buracos que a carência faz, gera expectativa sobre o sentir do outro. Quem somos nós para desvendar o afeto alheio? Pobres carentes cheio de devaneios e incertezas. Quando o coração transita tranquilo e atento ao que acontece dentro dele, quem sabe assim ele possa desaguar os seus mistérios com mais tranquilidade.

Denise Portes

sábado, 27 de agosto de 2016

Clarice

Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Escrever.

Quando não existia a internet, eu escrevia poemas, contos, histórias em cadernos, tudo a mão com uma letra sempre diferente da minha, devido à rapidez do pensamento. 
Os poemas ficavam ali. Vez ou outra, era preciso reescrever, tinha o processo de ler, reler, cortar, arrumar e depois passar a limpo com letra bonitinha em outro caderno. Até hoje o caderno me persegue, ainda tenho vários e vou inventando frases, anotando versos e depois... Ah depois eu guardo e lá na frente percebo que quando a gente nasce com esse “defeito de fábrica” só mesmo escrevendo para reorganizar sentimentos, seja ele de amor, dor ou alegria.


Denise Portes

Charles Bukowski

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece. 

Charles Bukowski

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O Pássaro Azul", do Bukowski

Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.

Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.
Depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?
Bukowski

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Medo.

O novo causa medo e insegurança, envelhecer tem a ver com cultivar alguns medos, eu acho. Faço um trabalho diário de deixar acesa a minha alegria e a coragem de vivenciar novos encontros. Aprender coisas novas, fazer caminhos diferentes e conhecer pessoas diferentes. Eu gosto de gente e de tudo que envolve as diferenças de ser diferente. 

Denise Portes

domingo, 21 de agosto de 2016

Trato de amor.

Então tá combinado, quando a transformação chegar para nós vamos tentar que o fim fique a altura do amor. 

Denise Portes

Artista.

Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror. Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão. Creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder. 
Charles Chaplin

sábado, 20 de agosto de 2016

Luto.

A vida sempre exigiu que eu aprendesse coisas da solidão, perdas, rupturas, sim, é inevitável. Eu não tenho medo do novo, sempre tive mais medo do invisível do que o que posso enxergar. Não gosto do que eu não entendo, quero pelo menos pensar que entendo. Nunca pensei encontrar força na solidão, mesmo sabendo que é desse lugar que nascem meus textos e um encontro inteiro comigo. É nesse escuro da noite, ou no som mudo da madrugada que os pensamentos fluem e os poemas veem em forma de presente. Envelheci por fora e cresci enormemente por dentro. Os meus pais já não moram mais nesse mundo, mas me sinto protegida pelos seus ensinamentos e o carinho deles me consola. Eu me sinto desolada de saber que não vou encontra-los em casa e que não terei mais os seus abraços e suas alegrias cada vez que eu chegar lá.
Estou órfã, esse sentimento é bem maior do que imaginei um dia. Eu preciso acalmar a mente, pois o coração chora uma dor tão profunda da despedida de minha mãe. Não quero me relacionar com nada e nem ninguém de forma superficial.
Escolher o melhor lugar para pousar meus olhos, entregar meu coração e compartilhar a minha dor. Interiorizei, era disso que eu precisava não me cabe mais no mundo das superfícies.
Nada que não evolui me interessa.
A verdade é que nunca fui superficial, mas gostava da alegria fútil de não fazer nada, de beber para falar besteira e de perder tempo com o que não vai dar em lugar nenhum. Isso acabou não porque eu quis, mas teve o seu prazo de validade vencido.
O meu eu irresponsável morreu junto com o que eu tinha de concreto, tudo que era pouco passou e o que parecia muito também. Porém ganhei outras coisas, força interior e sabedoria espiritual, além de reconhecer a maior herança que eles deixaram para mim. Eu sabia que eles eram incríveis, disse muitas vezes te amo pai, te amo mãe, trocamos palavras, afetos, carinhos, mimos, dedicatórias, trocamos amor.
Caramba, a gente foi incrível e eu sempre soube disso. Gratidão também causa dor. É isso que é o luto? A dor de se perder o que foi tão maravilhoso. Sim, eu estou vivendo o luto.

Denise Portes

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Uma forma de ser.

Eu sei ser fria, estranha, distante e jogar com sentimentos das pessoas, ser cruel mesmo. Porém essa não sou eu, sou carinhosa, afetuosa e atenta ao outro, mais ainda, eu não quero me perder de mim. Quando a distância acontece é porque ela é verdadeira, eu já não sinto mais a pessoa em meu coração. Acho um luxo ser de verdade. 

Denise Portes

A máxima.


Todos nós temos algo em comum... Somos diferentes! 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Até que...

Impressionante a capacidade que nós temos de vacilar, errar, onde pensávamos saber muito bem o caminho. Eu vivo me perguntando se a vida é assim, errar, aprender e cometer os mesmos erros.  Até que... Ai, ai, tomara que exista até que. 

Denise Portes

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

É, pois é...

"Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem".

Meu poeta preferido.

"... remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tensões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos."

Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Misturando sentimentos.

Escreva algo feliz, disse-me ela. Eu não consigo, respondi.
A verdade é que nesse momento tudo dói. “Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro, percorrer correndo os corredores em silêncio” Eu estou de luto, vestida de preto por dentro, pelo falecimento da minha mãe e estou assim por algumas perdas em vida, por transformações que eu jamais imaginei passar. As perdas, aprendizado, dores... 
Se a dor é de saudade e a saudade é de matar em meu peito a novidade vai enfim me libertar. 

Denise Portes

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Intensidade.

É a minha intensidade que pesa para você e para mim, somente você conseguiu conviver com tantas nuances. Sou contraditória, sou imensa e tenho multidões dentro de mim. 
Foi por eu saber te amar que você quis dividir a vida comigo e me fazer feliz. Nós combinamos que quando a transformação chegar para nós vamos conseguir que o fim fique a altura do amor.

Denise Portes

Amor.

Não se pode saber o que nunca se aprendeu? Nem dar o que nunca recebeu, de qualquer forma, sempre é tempo de querer transformar o não vivido em algo que vai mudar a direção e a vida. Aprender a amar pode ser um aprendizado interessante para toda eternidade. 

Denise Portes

"Que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva.
Quero poder jurar que essa paixão jamais será 
Palavras ao vento 
Palavras, apenas, apenas 
Palavras pequenas 
Palavras..."